MARCUSCHI, Luiz Antonio. Compreensão de texto: algumas reflexões
In: DIONISIO, Ângela Paiva; MACHADO, Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora.
Gêneros textuais e ensino. 4ª Ed. RJ. LUCERNA, 2006.
COMPREENSÃO DE TEXTOS: ALGUMAS
REFLEXÕES
JANUSIA SOUZA AQUINO[i]
Luiz
Antonio Marcuschi possui graduação em philosophisches seminar departamento de
filosofia pela pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, PUCRS
(1968); Doutorado em letras pela Universitat Erlangen-Nurnberg
(Friedrich-Alexander) (1976) e pós-doutorado pela Universitat Freiburg
(Albert-Ludwigs (1988). Atualmente é professor titular da Universidade Federal de Pernambuco.Tem
experiência na área de lingüística com ênfase em teoria e análise lingüística
,atua principalmente na área de filosofia da linguagem metodologia e
epistemologia lógica.
O
autor em seu texto usa uma linguagem clara para nos chamar a atenção sobre o
aspecto de compreender textos nos livros didáticos de língua portuguesa no
ensino fundamental. O objetivo principal do texto não é apenas criticar os
livros didáticos, mas também propor sugestões de trabalho pedagógico no dia-dia
escolar. Marcuschi analisa alguns livros didáticos utilizados pelas escolas,
nesta análise ele percebe que os mesmos não possuem os dados teóricos
necessários para mostrar que linha teórica eles seguem e, além disto, nortear o
trabalho do professor, isto para ele já é um problema.
Dentro desta
perspectiva ele deixa claro que a escola teria que agir como mediadora entre
teoria e prática, porém isto não acontece, pois o que há são muitas teorias
demagógicas e uma prática descontextualizada operante no nosso espaço
educacional. Geralmente os textos apresentados nos livros didáticos não levam
em consideração os conhecimentos prévios dos educandos. A criança é obrigada
pela escola a dominar conteúdos que não fazem parte do seu cotidiano, isto
causa uma desestimulação para a mesma e ele interioriza desde cedo que seu
conhecimento não tem valor e por isto não serve. Infelizmente os livros
didáticos consideram a língua apenas como instrumento de comunicação e por isto
seu ensino é muito enfadonho e monótono.
O ideal seria que o
livro didático de língua portuguesa contemplasse vários gêneros textuais, mostrando
para os educandos que é possível usar a linguagem formal e também a coloquial a
depender do contexto. No texto de Marcuschi fica claro que o aluno deve
aprender a desenvolver o texto oral, adaptando sua fala aos diferentes tipos de
interlocutores. Ele deve aprender a criar hipóteses, concluir, avaliar, fazer
inferências, aperfeiçoar a sua produção textual e determinar os pontos de vista
por exemplo.
Para que estas
atividades sejam desenvolvidas é preciso que haja um trabalho planejado,
dirigido e feito sistematicamente, porém não é isto que acontece. Os livros
didáticos abusam com exposições exaustivas de regras gramaticais e poucos
atentam para a interpretação de textos e quando o fazem é de forma mecânica, esquecendo-se
que interpretar textos vai além de entender apenas o que estar escrito com letras.
Ler é fazer inferências e captar idéias que não estão explicitas no texto.
Comumente nos livros
didáticos há uma enorme quantidade de exercícios inúteis que não desenvolve o
raciocínio e a criatividade do educando. Assim, Marcuschi sugere que os
professores se desapeguem um pouco do livro didático e busquem novas práticas
pedagógicas que levem o educando a interpretar de fato um texto. Estas
sugestões seriam: identificação das proposições centrais do texto, perguntas e
afirmações inferenciais, tratamento a partir do título, produção de resumos,
reprodução do conteúdo do texto num outro gênero textual, reprodução do texto
na forma de diagrama, reprodução do texto oralmente e trabalhos de revisão da
compreensão de textos. Lógico que tudo isto só será possível se o professor se
propuser a estudar ler e buscar planejar atividades significativas, produtivas
e desafiadoras. O educador não deve só conhecer como se dá o conhecimento
cognitivo de seus alunos, mas saber fazer propostas de acordo com os textos que
deseja ver escrito por eles.
A leitura deste texto é
fundamental para docentes de língua portuguesa e não só eles, para todos
aqueles que se preocupam com o rumo da nossa educação, aqueles que se preocupam
com o conhecimento que estar sendo produzido dentro dos espaços escolares. Para
futuros docentes (pedagogos) a leitura do texto de Marcuschi é primordial, pois
além de mostrar como os livros trabalham a interpretação de texto mostra também
que rumos podem tomar para evitar que o ensino de língua portuguesa seja tão
mecânico e descontextualizado.
[i]
Professora das séries iniciais do ensino fundamental e graduada em
pedagogia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e pós-graduada pelo IBEC.
Nenhum comentário:
Postar um comentário