sábado, 19 de setembro de 2009

escritores da liberdade

ESCRITORES DA LIBERDADE
Ser professor é ser a favor da luta constante contra qualquer forma de discriminação, contra a dominação econômica dos indivíduos ou das classes sociais;
Sou professor a favor da esperança que me anima apesar de tudo.
Paulo Freire

Colocar em questão a prática pedagógica vigente traz em seu bojo grande relevância, uma vez que requer dos educadores uma nova postura, o rompimento de paradigmas, uma verdadeira transgressão. O filme escritores da liberdade vem justamente retratar esta realidade enfrentada dia-dia por muitos profissionais que devem seguir normas impostas pelo sistema. Mostra-nos ainda que é possível sim transgredir e ir além fazendo a diferença no campo da educação.
No filme escritores da liberdade percebe-se que a senhora Enri Gruell desde o primeiro momento coloca em prática uma educação renovadora de modo que o aluno participe ativamente no processo de ensino-aprendizagem. Ela busca sempre inovar em suas aulas, no entanto, é podada pela direção e de certa forma pelos educandos que estão desacreditados na escola por esta tantas vezes decepcioná-los.
A gestora da escola deixa claro para a professora iniciante que o centro educacional segue a um sistema hierárquico e que a mesma deve enquadrar-se sem questionar e caso isto não aconteça ela terá sérios problemas, salienta ainda que os discentes em questão são casos perdidos e por isto mesmo não merecem credibilidades. Mesmo diante de tantos empecilhos a docente não desanima e luta para fazer a diferença. Ela nos mostra que o contexto pode ajudar e muito o professor a colocar em questão uma educação democrática que preza pelo conhecimento prévio do aluno.
Os dilemas enfrentados em sala por Gruell não são poucos uma vez que no primeiro momento, além de ser podada pela direção é ignorada pelos aprendizes que se mostram agressivos, violentos e desconfiados e até mesmo a consideram uma pessoa incapaz de lecionar. Fechados em seu mundo cada aluno mantém distancia não só da professora, mas também de qualquer um que possa representar ameaça para seu bem-estar. Entretanto aos poucos a docente consegue se impor e contextualizar os fatos fazendo os adolescentes encontrarem sentido para sua vida.

escritores da liberdade

Um tema interessante tratado no filme em questão refere-se multipluralidade, onde se é discutido a questão não só do racismo, como também o respeito mútuo que deve prevalecer entre os cidadãos. Durante o diálogo a docente consegue mostrar para a turma que atitudes violentas e preconceituosas só geram mais violência e perdas desnecessárias e que muitas vezes as decepções e as fatalidades da vida podem servir de trampolim para o sucesso diário de cada um.
Ao traçar um paralelo entre o filme e a realidade educacional brasileira evidenciamos muitas coincidências relevantes e que merecem ser repensadas não só pelos profissionais da área, mas pela sociedade como um todo. Dentre estas coincidências podemos citar a falta de interação dos educadores veteranos com os iniciantes, falta de apoio pedagógico ou mau gerenciamento dos recursos para que o educador possa desenvolver um bom trabalho sem falar na falta de entendimento entre os docentes e os gestores escolares que primam mais pelo sistema que pelo individuo que tem direito a uma educação de qualidade independente de sua crença, idade, religião, situação econômica, cor ou sexo.
Outra coincidência que o filme apresenta em relação à educação brasileira é o dia-dia dos professores na periferia onde reina as gangues, o tráfico de drogas. Os educadores são desafiados a não perder seus garotos e garotas para o crime e escrever uma história diferente na vida de cada um. A professora Gruell criou um elo de comunicação tão forte com seus alunos que conseguiu fazer com que os mesmos vencessem seus medos, anseios e inseguranças. Ao apresentar para os alunos a capacidade de cada um de ser no futuro profissionais respeitados de mostrar para eles que ela não queria ser apenas mais um professor a passar por suas vidas e enganá-los ela fez os mesmos mudarem seus comportamentos e a valorizar-se como ser humano. Nós educadores somos chamados a todo momento fazer a diferença na vida de nossos alunos.