quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

COMPREENSÃO DE TEXTOS: ALGUMAS REFLEXÕES



MARCUSCHI, Luiz Antonio. Compreensão de texto: algumas reflexões In: DIONISIO, Ângela Paiva; MACHADO, Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora. Gêneros textuais e ensino. 4ª Ed. RJ. LUCERNA, 2006.


COMPREENSÃO DE TEXTOS: ALGUMAS REFLEXÕES                                                                       


                                                                       JANUSIA SOUZA AQUINO[i]




Luiz Antonio Marcuschi possui graduação em philosophisches seminar departamento de filosofia pela pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, PUCRS (1968); Doutorado em letras pela Universitat Erlangen-Nurnberg (Friedrich-Alexander) (1976) e pós-doutorado pela Universitat Freiburg (Albert-Ludwigs (1988). Atualmente é professor titular  da Universidade Federal de Pernambuco.Tem experiência na área de lingüística com ênfase em teoria e análise lingüística ,atua principalmente na área de filosofia da linguagem metodologia e epistemologia lógica.
O autor em seu texto usa uma linguagem clara para nos chamar a atenção sobre o aspecto de compreender textos nos livros didáticos de língua portuguesa no ensino fundamental. O objetivo principal do texto não é apenas criticar os livros didáticos, mas também propor sugestões de trabalho pedagógico no dia-dia escolar. Marcuschi analisa alguns livros didáticos utilizados pelas escolas, nesta análise ele percebe que os mesmos não possuem os dados teóricos necessários para mostrar que linha teórica eles seguem e, além disto, nortear o trabalho do professor, isto para ele já é um problema.
Dentro desta perspectiva ele deixa claro que a escola teria que agir como mediadora entre teoria e prática, porém isto não acontece, pois o que há são muitas teorias demagógicas e uma prática descontextualizada operante no nosso espaço educacional. Geralmente os textos apresentados nos livros didáticos não levam em consideração os conhecimentos prévios dos educandos. A criança é obrigada pela escola a dominar conteúdos que não fazem parte do seu cotidiano, isto causa uma desestimulação para a mesma e ele interioriza desde cedo que seu conhecimento não tem valor e por isto não serve. Infelizmente os livros didáticos consideram a língua apenas como instrumento de comunicação e por isto seu ensino é muito enfadonho e monótono.
O ideal seria que o livro didático de língua portuguesa contemplasse vários gêneros textuais, mostrando para os educandos que é possível usar a linguagem formal e também a coloquial a depender do contexto. No texto de Marcuschi fica claro que o aluno deve aprender a desenvolver o texto oral, adaptando sua fala aos diferentes tipos de interlocutores. Ele deve aprender a criar hipóteses, concluir, avaliar, fazer inferências, aperfeiçoar a sua produção textual e determinar os pontos de vista por exemplo.
Para que estas atividades sejam desenvolvidas é preciso que haja um trabalho planejado, dirigido e feito sistematicamente, porém não é isto que acontece. Os livros didáticos abusam com exposições exaustivas de regras gramaticais e poucos atentam para a interpretação de textos e quando o fazem é de forma mecânica, esquecendo-se que interpretar textos vai além de entender apenas o que estar escrito com letras. Ler é fazer inferências e captar idéias que não estão explicitas no texto.
Comumente nos livros didáticos há uma enorme quantidade de exercícios inúteis que não desenvolve o raciocínio e a criatividade do educando. Assim, Marcuschi sugere que os professores se desapeguem um pouco do livro didático e busquem novas práticas pedagógicas que levem o educando a interpretar de fato um texto. Estas sugestões seriam: identificação das proposições centrais do texto, perguntas e afirmações inferenciais, tratamento a partir do título, produção de resumos, reprodução do conteúdo do texto num outro gênero textual, reprodução do texto na forma de diagrama, reprodução do texto oralmente e trabalhos de revisão da compreensão de textos. Lógico que tudo isto só será possível se o professor se propuser a estudar ler e buscar planejar atividades significativas, produtivas e desafiadoras. O educador não deve só conhecer como se dá o conhecimento cognitivo de seus alunos, mas saber fazer propostas de acordo com os textos que deseja ver escrito por eles.
A leitura deste texto é fundamental para docentes de língua portuguesa e não só eles, para todos aqueles que se preocupam com o rumo da nossa educação, aqueles que se preocupam com o conhecimento que estar sendo produzido dentro dos espaços escolares. Para futuros docentes (pedagogos) a leitura do texto de Marcuschi é primordial, pois além de mostrar como os livros trabalham a interpretação de texto mostra também que rumos podem tomar para evitar que o ensino de língua portuguesa seja tão mecânico e descontextualizado.





[i] Professora das séries iniciais do ensino fundamental e graduada em pedagogia pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) e pós-graduada pelo IBEC.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

contemporaneidade



O que é contemporaneidade1
Janusia Souza Aquino2


A sociedade humana desde seu surgimento vem sofrendo transformações, isto devido a revoluções sociais que abalam os conceitos e práticas já existentes, originando assim outros mais atuais e condizentes com o homem do momento histórico em questão.
Partindo desse pressuposto pode-se dizer que a sociedade é fruto das revoluções e que para se adequar no meio em que vive o indivíduo deve se adequar aos padrões impostos pelas classes sociais. Não é surpresa saber que desde a antiguidade já existia formas variadas de dominação, onde uns homens mantinham o poder enquanto outros eram escravizados sem direitos tendo apenas deveres e ainda hoje perdura este tipo de prática excludente.
O mundo contemporâneo vive em constantes mudanças, as relações entre as pessoas tem se modificado dinamicamente. Com o avanço tecnológico e o advento da internet as informações são transmitidas rapidamente não importando a distância entre as pessoas. Diante dessa constante transformação em que se encontra a sociedade surgem questionamentos referentes à identidade humana, conhecimento como forma de poder e os efeitos da globalização em nosso dia-dia sem falar que tais mudanças influem também às concepções pedagógicas e as práticas escolares vigente.
Na sociedade capitalista o homem representa um elemento funcional do sistema, pois o Estado lhe impõe regras e hábitos que são internalizados por ele e mais tarde reproduzidos alimentando assim, o funcionamento de uma sociedade totalmente individualista. O capitalismo acaba impondo ao individuo o desejo de competição o que faz com que ele se desprenda de alguns valores como solidariedade, ética, honestidade, dentre outros. 
O individuo que alimenta o espírito de competição em demasia acaba se fechando para as relações sociais, o que na maioria das vezes o leva a ser um sujeito bem estruturado financeiramente, porém carente de afeto e atenção. Todo este conjunto de mudanças ocorridas na sociedade faz parte de um tempo histórico denominados por muitos de contemporaneidade. Este novo momento histórico vivenciado por nossa sociedade demonstra que a como conseqüência da globalização temos diversos tipos de exclusão, seja ela social ou digital.
De acordo com especialistas na era da informação somos obrigados a viver em rede isto é, nos comunicarmos através de computadores com pessoas que se encontram distantes ou até mesmos próximos evitando as relações interpessoais entre os indivíduos.
           Segundo Manuel Castells a Sociedade em Rede é a nossa sociedade, a sociedade constituída por indivíduos, empresas e Estado operando num campo local, nacional e internacional e segundo o mesmo apesar das nossas sociedades terem muitas coisas em comum, são também produto de diferentes escolhas e identidades históricas.
Até a revolução industrial o homem não sabia o que era ser proletário uma vez que todo seu trabalho era artesanal. O individuo fabricava o objeto manualmente e no final do processo ele podia observá-lo e orgulhar-se de sua obra-prima, entretanto no mundo moderno ele se tornou um proletariado e muitas vezes se orgulham disto.
De acordo com o pensamento marxista o sistema de proletarização tem vigor no mundo capitalista uma vez que ele estimula a base da vida social; o trabalho. Marx nos coloca que o trabalho é a estrutura de sociedade, pois ele representa a economia daí a teoria de que os homens não são iguais e por isto existem os que pensam e os que executam. Exemplo do sistema de proletarização temos o professor que executa em suas aulas idéias já pensadas por outrem.
A sociedade de hoje obriga o indivíduo a ser submisso, a sujeitar-se a práticas alienáveis, o homem que até então era o criador da sociedade passa a ser criatura. Dentro deste mundo moderno o individuo é induzido a acumular conhecimento caso contrario ele permanecerá sempre como submisso uma vez que quem conhece manda quem fica estático no tempo sem buscar informações apenas executa as tarefas pré-estabelecidas.
É impressionante perceber que somos escravos da moda da beleza e de tudo que pertence à era tecnológica, ao passo que nos submetemos a sermos escravos da tecnologia estamos permitindo que as máquinas usurpem nosso lugar na sociedade e mais nos esquecemos de conversar de conhecer nossos familiares, os nossos amigos etc.
 Em contrapartida não podemos esquecer as vantagens que as redes de comunicação nos trazem. Como uma moeda a era da informação oferece dois lados isto é. Seus prós e seus contras.  Segundo alguns estudos já existem uma ampla literatura empresarial afirmando que quanto mais conectada estiver uma pessoa, mais chances de sucesso ela terá em sua carreira ou em seus negócios. Atualmente, há todo um setor do marketing tentando descobrir as regras do marketing em rede ou do marketing viral.
A sociedade em rede permite não só o crescimento das empresas, mas também o crescimento pessoal de cada indivíduo. A área tecnológica que para muitos representa desemprego exclusão social na verdade também oferece muitas vagas de emprego para outros, o que coloca a economia em um bom nível.Porém para trabalhar em empresas que usam a rede como fonte de informação para o trabalho o individuo deve ter como características principais a criatividade e a inovação.
Enfim, a sociedade em rede. É a nossa sociedade que ruma ao futuro em diferentes graus.


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1 Texto  solicitado pela professora Ms.Geórgia Couto, para fins avaliativos da disciplina sociedade e contemporaneidade, do curso de pós- graduação pelo IBEC.
2 pós-Graduanda do curso de Psicopedagogia pelo IBEC e-mail janusia.akino@hotmail.com